KL Jay, DJ Hum, Grandmaster Ney, Nutz e DJ King
Uma segunda-feira fria de julho, um célebre bar na esquina mais famosa de São Paulo vê um verdadeiro panteão reúne-se ao redor de uma mesa para contar a história do DJ de hip hop no Brasil. Sentados lado a lado estavam Grandmaster Ney, precursor do hip hop nas equipes de som black dos anos 70 e 80; DJ Hum, que fez seu nome ao lado do rapper Thaíde; KL Jay, a base musical dos Racionais MCs e organizador do festival Hip Hop DJ; King, que manipula as picapes para Xis, entre outros; e Nutz, que fez seu nome ao lado do Planet Hemp.
Além de seus trabalhos originais, todos eles são veteranos na noite paulistana e tocam em várias casas noturnas, produzindo discos e se apresentando por todo o Brasil. Ou seja: não foi fácil reunir esses caras. Mas uma vez reunidos, os caras soltaram o verbo. Primeiro, KL Jay, Hum e Ney contaram sobre os primórdios e a fase da São Bento, sempre de um ponto de vista bem-humorado e saudosista. Nutz e King participaram de leve, comentando e ajudando os três se lembrarem de datas, nomes e detalhes que cresceram ouvindo falar. Depois, os dois entraram no papo de uma vez e ajudaram a contar a história de suas vidas - e do hip hop brasileiro.
Ney: Eu nasci com disco no sangue. Toda minha família, os irmãos da minha mãe, organizava bailes. Meu tio, o falecido Zé Carlos Vitrola, foi o primeiro DJ a tocar só com a vitrola, separado do resto do equipamento. Daí veio o nome dele. Era uma época em que os DJs tocavam sentados. Não tinha mixer, fone, feltro no prato pra parar o disco… Nada disso. O pessoal tocava os discos no tato. Isso no final dos anos 60, quando os bailes tavam começando a tocar as coisas mais antigas, voltando pro soul e eu comecei a procurar as coisas novas.
KL Jay - Minha mãe escutava rádio AM e ouvia muito Roberto Carlos, John Lennon, trilha de novela… Mas o pessoal começou a falar de FM, de umas rádios que tocavam um tal de funk: Excelsior, Jovem Pan, Cidade, Antena 1… Meu pai tinha um radinho que pegava FM e quando ele ia trabalhar eu botava na FM e ficava ouvindo os sons, Gap Band, One Way…
Hum- Quando eu mudei pra Ferraz de Vasconcelos, meu tio me falou “leva uns discos” e aos poucos eu fui vendo que essa era a diversão do pessoal, tocar discos na rua, fazer bailinhos. Comecei assim, tocando em bailinhos pra arrecadar grana pra formatura da oitava série. Todo mundo começou tocando em bailinho. Eles foram a grande escola. A gente levava os discos que tinha, não tinha essa de discos mais tocados. Eu lembro que tinha o famoso questionário: você chegava no lugar e o pessoal começava a perguntar o que você tinha. “Tem o álbum tal? O meu é de 77″, “o meu é de 79″.
Ney - Meu tio morreu de tuberculose aos 26 anos, em 73, e antes de morrer ele falava que ia me levar pros bailes que ele tocava: Maison Suíço, SP Chic, Telefunken… Mas ele morreu antes. E depois de ele morreu, eu toquei em todos essas casas que ele falou.
Hum- Era uma época em que os DJs tocavam de costas pro público, com um espelho na frente, pro pessoal ver. Mas não encarava o público.
Ney - Eu comecei a manipular os discos, mas eu não fui o primeiro. O primeiro foi o Paulão, que foi preso e depois sumiu… Tem muita gente que acha que eu inventei a roda, mas ele foi o primeiro. Comecei tocando em bailinhos com o meu irmão e aos poucos fui evoluindo. E as coisas também. Costumo dizer que, dos anos 70 pra cá, tudo que aconteceu de inovador veio da música negra.
KL Jay - Tudo veio da África, tudo veio do tambor.
Hum- Nos anos 70, o negro brasileiro tinha dois estereótipos, o carnavalesco e o que depois começou a ser chamado de black. Foi importante porque era uma época que a gente não tinha informação e as equipes de som - como a Chic Show, a Black Mad, a Zymbabwe… -, apesar de ter um lado burocrático, eram quem deixava a gente um pouco informado sobre o que acontecia lá fora.
Ney - Foi quando as coisas começaram a mudar. Apareceu o Grandmaster Flash e ele virou meu ídolo. Eu tocava tudo quando era estilo usando as bases do Flash, as referências que eu usava eram dele. E o Mister Gil, que se apresentava comigo, começou a me chamar de Grandmaster Ney, que acabou ficando. Era uma época que ainda existiam os vendedores ambulantes de disco, eu mesmo vendi disco. A gente vendia para umas equipes e outras ficavam sem. E os discos iam ficando raros.
Hum- As equipes eram concorrentes e todo mundo concorria com todo mundo: o melhor DJ, o melhor dançarino, a melhor rádio. Todo mundo tinha um “escutador”, pra reconhecer as músicas que os outros tocavam e pra ouvir se o equipamento de som era bom mesmo. Quando o som era bom, o tímpano voava! E ninguém se metia a ser o “escutador” do Chic Show, por causa da altura do som.
Ney - A gente ia pro Rio comprar disco importado, que chegavam direto no porto. O Rio era o melhor mercado de disco de vinil do Brasil, o dobro de São Paulo. Na volta, a gente vinha apagando o rótulo.
KL Jay - A fogueira das vaidades! Era o medo de informar, pra você ver!
Ney - Tinha aquela história de subir na mesa e ficar rodando a cabeça pra conseguir ler o rótulo!
Hum- Mas o Rio era muito organizado, até hoje ainda tem a associação de equipes de som.
Ney - E a cultura dos bailes já era administrada pelos DJs: as equipes tinham o equipamento e chamavam os DJs que traziam o material. Uma organização absurda! Não tinha o que tinha em São Paulo, os DJs de lá trocavam informação, discos, “me empresta teu disco que eu vou tocar no meu baile”.
Hum- Esse lance da informação começou a ser quebrado na época da São Bento, quando a gente começou a ouvir aquele funk falado, que depois a gente descobriu que era o rap.
KL Jay - Tinha isso da troca, na São Bento. Eu comecei lá dançando break, vendo os vídeos, Beat Street, o do Malcolm McLaren, o Chic… E essa onda começou a me levar.
Ney - Eu tocava nos bailes que não permitiam que se dançasse break, rolava discriminação. Mas eu tinha ficado fissurado naquilo, roubei a fita do Beat Street da locadora, que eu tenho até hoje.
Hum- O pessoal do punk, que na época tava saindo da São Bento, passou muita informação pra gente, mostrou muita coisa, The Clash… A gente era vanguarda, era uma coisa diferente dos bailes.
KL Jay - É bom frisar que o que acabou com os bailes foi a mesquinharia. O Ney era o único cara do Chic Show que não tinha o pensamento dos caras.
Ney - Lembro do DJ Hum com toca-discos Garrard no chão, procurando um ponto de luz pra ligar e botar os caras pra dançar break. Foi quando começou o rap em São Paulo. O Nelson Triunfo (pioneiro do break no Brasil) foi praticamente o pai de tudo.
KL Jay - O esquema da dança de soul e funk era uma espécie de protesto visual, uma auto-afirmação. Mas o hip hop era mais agressivo. O DJ pegava o disco e “falava” usando as mãos: “Polícia filha da puta!”, “Racismo o caralho!”.
Hum- Em 82 eu vim pro Centro e vi o Nelsão dançando break, os caras tipo robôzinho… Naquela mesma noite eu ia tocar em um casório. E eu pensei em levar os caras, pra dançar na quebrada. Eu morava num lugar que se eu não fizesse nada, ou os caras passavam o dia fumando maconha ou saíam metendo bala. Então eu era meio “empresário” no lugar. Catei dois neguinhos, ensinei os caras como era a dança e levei pro casamento. Foi a pior coisa que eu fiz na vida (risos). No meio da festa - isso numa sala, o sofá de um lado, a estante do outro, o retrato de Nossa Senhora num canto… -, parei o som e disse: “Agora com vocês, dois caras que eu trouxe da cidade”, olha o 71 (risos), “que vão mostrar a nova dança, a dança do robôzinho!”. E os caras não sabiam fazer direito e neguinho ficava se perguntando: “Que palhaçada é essa?” (risos).
Ney - Fiquei com medo quando eu vi o break na abertura da novela das oito (Partido Alto, da rede Globo). Porque era só ir pra Globo pro negócio falir, foi assim com a discoteca, com o Dancin’ Days. Pensei que o break ia morrer. Tanto que ficou um tempo meio sumido, meio parado…
KL Jay - Rolava uma zoeira do pessoal do samba, que era mais arrumadinho e falava: “ih, lá vem aqueles caras que gostam de limpar o chão com o corpo, de fazer vuk-vuk nos discos”. Mas entre os DJs, tanto de funk quanto de hip hop sempre teve um respeito mútuo.
Ney - Mas eu fui interrogado na São Bento, “o que é que você tá fazendo aqui?”, porque eu era da Chic Show. Mas o negócio começou a crescer tanto que foi quase mágica, logo estava em todos os lugares, tinha crescido muito. E o Luizão do Chic Show me chamou pra fazer um disco de rap, com o MC Jack e o Naldinho.
Hum- Foi quando a gente descobriu que existia uma maquininha chamada mixer. A gente não sabia como os DJs faziam. “Como é que eles fazem isso?”.
KL Jay - A gente achava que os caras é quem produziam o som. Só depois que a gente soube que eles pegavam músicas de 10, 20, 30 atrás.
Hum- Todos nós copiamos o Eazy Lee, o DJ do Kool Moe Doe, que veio para o Brasil.
Ney - Foi o que quebrou a gente. A gente nunca tinha visto um DJ fazer performance até o cara fazer os scratches com os discos do Tim Maia.
KL Jay - Com discos de música brasileira! Eu pirei! “Você mentiu-ti-ti-tiu!”. Nossa, mano! Que mágica!
Hum- Um dia, um cara me viu fazendo scratch e falou que eu tocava igual aos americanos. E me levou pra uma festa, a maior das equipes amadoras. E o cara anunciou: “Agora vamos trazer aqui o Humberto, que faz igual os americanos!” (risos). E eu fazendo a mixagem na mão, com a vitrola de madeira. E o cara: “Faz que nem os americanos, os caras tão aqui pra ver!” (risos). E neguinho achando que eu ia dançar break, jogar basquete (risos).
Ney - Quando a gente tocava no interior, o Natanael (Valença, um dos fundadores da equipe Chic Show, já falecido) chegava e falava: “Faz aquelas performances!”. E eu fazia os back-to-back, pintava e bordava… E quando desligava o toca-discos, ficava todo mundo ali parado , olhando pra minha cara.
Hum- É difícil…E show de rap? “Com vocês, Fulano de Tal!”. Podia ser quem fosse, podia estar estourado no rádio, e os caras ficavam lá, batendo o pé…
KL Jay - Virava de costas!
Hum- Isso quando o show era bom. Se fosse ruim, os caras tacavam coisas…
Ney - Aí o Natanael sacou que tinha que preparar o povo, explicando: “Ele fica repetindo a mesma frase nos dois discos…” e aí sim o pessoal gostava. Mas da segunda vez não dava mais, não tinha mais novidade. Aí quando eu voltei a fazer interior, pensei: “Vou chamar outro DJ pra tocar comigo”.
Hum- Pra fazer igual os americanos… (risos)
Ney - A primeira vez que a gente se apresentava era legal, mas da segunda vez o povo virava e “pô, esse negócio de novo?”. Aí eu pensei em fazer algo diferente, em inovar. E convidei o Humberto pra fazer back-to-back de dois…
Hum- Isso foi legal…
Ney - Eu saía e o Humberto entrava, ele saía e eu entrava… E a casa veio a baixo. Mas na segunda vez, de novo, já não valia mais a pena, porque o público não gostava. Aí levamos três e a gente corria em volta da mesa! (risos) Chegou uma hora que não tinha mais o que inventar. Eu subia na mesa e mexia com o pé, que me valeu uma dor na coluna que eu tenho até hoje…
Nutz - E não tinha aquela coisa de mexer o fader com a bunda?
Hum- Tinha. Tinha um truque que era maior embromation, mas o pessoal gostava. O cara tirava o tênis e mexia no crossfader e a galera: “‘Ó lá, o cara fez com o tênis!”. (risos)
Ney - O Ricardo Medrano falou que ia fazer com o pé, só que ele era deficiente físico. Aí no meio da apresentação, ele não me tira a perna mecânica pra fazer os scratches? (risos)
KL Jay - E ainda mostrou a bunda depois da apresentação, com o Olympia lotado.
Ney - Isso foi no segundo DMC (campeonato de DJs realizado em São Paulo entre 88 e 97). Nós três, eu, o Kléber e o Humberto, competimos nos três primeiros. O primeiro tinha só amigo da gente. Eu lembro do KL Jay ir lá na rádio que eu trabalhava e dizer que tinha um 12 polegadas do “It Takes Two”, do Robbie Bass: “Eu tenho um bagulho louco pra fazer com esse som, mas eu não tenho o outro”. Como não tem? Aí eu fui lá no case do Chic Show e roubei o álbum emprestado. E pedi: “Não coloca uma marca nesse disco, pelo amor de Deus!”. Ele fez a performance, eu devolvi o disco e até hoje ninguém sabia disso.
Hum- Houve um estudo, um aprendizado autodidata, isso no fim dos anos 80, 88, 89… A gente fazia umas audições e ficava pensando como é que os caras faziam aquilo. A gente não sabia o que era um sampler, sampleava as coisas usando fita. Até que começou o SPDJ, no Santana Samba, que foi a primeira festa feita para DJs de hip hop, direcionada para DJs.
Ney - Foi a época que eu saí da Chic Show. As equipes proibiam você de falar que músicas você tocava, se você fosse funcionário. Eu toquei a primeira música do Soul II Soul no Brasil por um ano e meio, sem que ninguém soubesse o que era…
KL Jay - Mas você foi o primeiro que tocou A Tribe Called Quest em São Paulo. O Luizão do Chic Show tocou o Princess of the Posse, da Queen Latifah, quando saiu sem falar pra ninguém o que era.
Ney - E quando você saía da equipe, você tava morto, porque os discos, os equipamentos, os contatos… Tudo era da equipe. Fora que neguinho falava que você tinha saído porque roubava. E eu que ensinei todo mundo: Duda, Eazy Nylon, Don Black… E vi uma das pessoas que montou o Chic Show, o Natanael, ser discriminado lá dentro. Aí eu entreguei os discos e saí. Eu não tinha mais como crescer ali dentro. Foi quando eu comecei a tocar nos Jardins. E o Natanael me viu saindo e tomou coragem pra sair. Foi quando começamos a tocar direto no interior, Campinas, Sorocaba, Jundiaí… E montamos o SPDJ, que era uma festa itinerante. E depois nos instalamos no Santana Samba, nas quartas-feiras, e a comunidade abraçou. As festas especiais do mês lotavam, todo mundo queria tocar, mesmos os consagrados. Eram quatro mil pessoas espremidas num cubículo, gente pendurada no exaustor.
KL Jay - Foi a época que o CD começou a se popularizar. E a maioria do pessoal abraçou o CD. Vendeu os toca-discos! Vendeu os discos! O que você via MK2 baratinho vendendo, quase dada!
Nutz - Eu comecei nessa época. O pessoal falava: “Não compra MK2!”. Isso em 92, 93… Antes tinha uma coisa até saudável, de ir todo o fim de semana na Truck’s ver os discos que tinham chegado. Comecei fazendo som em festas, na sexta, sétima série. A equipe chamava DJ Action e eu ouvia as coisas na 105. A equipe acabou e eu conhecia a galera, o centro, a São Bento, e continuei tocando. Comecei a tocar na noite ainda menor de idade.
King - Eu já acompanhava o pessoal montando som, mas só fui entrar mesmo quando vi os Racionais tocando no Tom Tom, uma casa lá em Suzano, que era onde eu morava. Fiquei só olhando o Kléber e depois comecei a seguir o cara, o Humberto, o MC Jack. Como eu morava muito longe, não peguei a São Bento no início, mas ouvia a Zymbabwe, a Black Mad… Comecei nessa época, do Santana Samba, dos shows no Projeto SP. Eu pegava trem e era uma época que eu tinha que andar com um povo, porque tinha os carecas, os white power, que davam porrada. Na época eu trabalhava no banco e conheci o Ico, que tinha um programa de rádio com o Armando Martins na Manchete, e ele vendia as fitas no banco. Foi quando eu comecei a ir nos bailes da Chic Show e ver o Eazy Nylon, o Duda, o Macarrão, o Ney… Na época eu rodava o disco na mão, pra fazer como os caras. Primeiro numa CCE de plástico, depois numa Garrard de madeira.
Hum- Aí as coisas já estavam bem populares, a cultura já era mais conhecida. E a gente montava os shows sem ter informação nenhuma, sem saber como era. A gente só entendeu quando o Public Enemy tocou no Brasil, que tinha um logo, que tinha uma produção… O show do Public Enemy marcou todo mundo.
King - Lembro que a Kazkata’s ia sortear um mixer chorus e eu escrevi 400 cartas pra ganhar (risos). E eu fui burro, devia ter xerocado, mas não, faltei na escola a semana inteira escrevendo aquelas cartas. E quando rolou o sorteio, outro cara, que escreveu 10 cartas, foi sorteado, mas ele não já tinha ido embora. O segundo nome foi o meu e eu já fui com o RG na mão…
KL Jay - Até que ficaram dois anos sem ter o DMC e eu, como todo DJ de hip hop, sabia que havia vários DJs bons e que a minha missão era revelar esses caras. Aí eu troquei uma idéia com o Xis ali no Ponto Chic: “Queria fazer um campeonato de DJs chamado Hip Hop DJ”. Eu tocava no Soweto e disse que as eliminatórias podiam ser lá. Isso já em 97. Perguntei: “Vamo fazer? Eu tou com um dinheiro aqui, você pode dar alguma coisa?”. Ele topou e fizemos. Foi o maior sucesso.
Hum- É legal porque voltou a valorizar o DJ e o vinil. Hoje tem loja, como a Porte Ilegal, que só vende vinil.
KL Jay - O mais importante é que revela muitos caras: o Cia, o próprio Nutz, o King, o Fábio Soares… E é um negócio underground. Não vai pra TV, não é divulgado como aula de DJ de drum’n'bass.
Hum- Quem não conhece a cultura hip hop, descobriu o DJ pela eletrônica. Mas os DJs de eletrônica curtem hip hop. Ninguém fala do Marky tocando na Sound Factory, na Penha, em 98. Ou o Patife abrindo a pista de eletrônica na Toco.
KL Jay - A música eletrônica é muito aceita na periferia.
Hum- Acompanha o meu raciocínio: nos anos 80, o legal era ter uma banda de rock. Já nos 90, era axé e pagode. Agora, século 21, todo mundo quer ser DJ - tem oficina, curso, informação acessível… Mas como hoje não tem mais equipe de som, o pessoal não sabe por onde começar. Tem gente que nunca pegou num disco! E esse é um dos papéis do Hip Hop DJ. O DJ está começando a ser visto não só como um artista, mas como um artista de performance, como um skatista… Mas enquanto a eletrônica tem a mídia e os patrocínios, o hip hop não consegue nada.
KL Jay - No fim a gente nem quer, porque acaba se expandindo sozinho.
King - Hoje eu tou tocando só em casa de classe alta, com ingresso a 50 e 60 reais, em Maresias. Outro dia eu toquei numa festa e quem tava do meu lado era o Chiquinho Scarpa (risos). Sem noção. Ele olhou pra mim, me viu, assim, vestido todo colorido, e isso agrediu o cara. E eu comecei a rir: “Olha onde eu tou, olha quem tá ouvindo meu som”.
Hum- Eu sempre repito uma frase que é do KL Jay - o hip hop pode ter tudo, mas não tem grupo mais unido que os DJs.
King - DJ é igual judeu (risos).
KL Jay - A gente troca idéia, cumprimenta, pergunta que som o outro tá ouvindo e tá tocando. Não tem essa entre nós, mas com os outros caras… A gente tem a mente mais aberta.
Nutz - Pra você ter uma idéia, eu tocava numa festa, mas me tiraram para o King assumir. Não deixei de freqüentar a festa por causa disso.
KL Jay - O DJ é como um disco, redondo, gira e vê todos os lados, em 360º, igual a Terra. Ele toca para 500, 1000, 5 mil pessoas ao mesmo tempo. E conversa com as pessoas, fala usando as mãos, os discos. A gente sabe ir e voltar.
Esta entrevista foi publicada em versão ultrarreduzida na primeira edição da falecida revista Volume01, que está hibernando sabe-se lá até quando. É a primeira vez que ela é publicada na íntegra.
fonte: - http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2006/06/19/kl-jay-dj-hum-grandmaster-ney-nutz-e-dj-king.htm
3 de outubro de 2009
21 de setembro de 2009
11 de setembro de 2009
RINHA DE MC'S com Show do Criolo Doido em prol a reposição dos equipamentos roubados do DJ DANDAN

Saudações!!
Infelizmente dessa vez as notícias não são boas, em com tristeza que informamos que todos os aparelhos do DJ Dandan aka Cassiano Sena, foram roubados, toca discos, mixer, potência e alguns discos, um prejuízo enorme com valor quase incalculável, devido o apego sentimental, existente com cada item que foi levado indeferente a tudo isso. Quem é DJ sabe do que estamos falando!
Pra que desconhece de quem estamos falando, falamos de alguém que dedica-se a arte da discotecagem há quase 20 anos, a arte de viver Hip Hop na verdade, e que lutou para adquirir cada pedacinho dos equipamentos, desde então. Alguém que toda vez que solicitado, uma força, algum aparelho, disco ou algo assim, para realizar uma atividade na comunidade, em prol ao Hip Hop, sempre esteve a disposição, mesmo sem grana, ou sem transporte, não vê impicílios! Não foram poucas as vezes em que fomos juntos, ou nos encontramos em buzos, carregando aparelhos, para manter o Hip Hop acontecendo. Em resumo é isso, roubaram todos os aparelhos de alguém que estava realizando uma atividade gratuita, no meio de uma comunidade, onde raramente acontece algo cultural de cunho maior que bebedeiras...
Para começar a se reparar este erro, estão sendo propostas várias ações.
E a Primeira será a RINHA DE MC'S com Show do Criolo Doido, em prol a reposição dos equipamentos roubados do DJ DANDAN. Dia 25/09/2009. Amigos são para as piores horas!
ENTÃO COMPAREÇAM E QUEM PUDER PROPOR NOVAS INICIATIVAS PROPONHAM!!!
fonte - http://www.produttoparalelo.blogspot.com/
29 de agosto de 2009
Intervenção Hip Hop em São Bernardo do Campo.

Onde: Estacionamento do Antigo Mercado Municipal ao lado da Pista de Skate - Centro de S.B.C. - Dia: 30/08/09
A partir das 11:00 hrs
COMPAREÇAM!
27 de julho de 2009
9ª EDIÇÃO DA SEMANA DE CULTURA HIP HOP DISCUTE A SUBJETIVIDADES E RESIGNIFICAÇÕES
Segunda-feira 27 de julho de 2009www.acaoeducativa.org
Começa hoje uma semana inteira com muita música, dança, artes plásticas, Rimas e muita reflexão acerca das subjetividades e Resignificações do Hip Hop.
Gildean Silva Panikinho
9ª Semana de Cultura Hip Hop
A Ação Educativa juntamente com mais de 10 grupos, posses e coletivos de hip hop promoverá pelo nono ano consecutivo o evento que se tornou o mais antigo e representativo da cultura hip hop em São Paulo. Realizado de forma participativa, a Semana de Cultura Hip Hop terá na sua programação um campeonato de basquete de rua , oficinas, um curso de produção musical, quatro sessões de diálogo, mostra de filmes e quatro noites de apresentações artísticas. Tudo sob o tema: O que Sou!? O que Penso!? Subjetividades e Resignificações. Será um olhar para dentro na busca da essência da cultura hip hop presente há 25 no Brasil. O evento conta com a parceria do Centro Cultural da Espanha, Ação Educativa, Sesc Consoçlação e Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato. Na noite do dia 31, sexta-feira teremos o Baile de Rua na 24 de Maio com Dom José de Barros e logo após acontecerá uma grande festa na Casa das Caldeiras para encerrar o evento e anunciar o início do II Encontro de DJs de Hip Hop que acontecerá nos dias 01 e 02 de agosto no Centro Cultural São Paulo
9ª Semana de Cultura Hip Hop, Ação Educativa, Rua General Jardim, 660 e Sesc Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245, Biblioteca Infanto- Juvenil Monteiro Lobato, Rua General Jardim, 485, Vila Buarque, São Paulo Fone 3151 2333 ( Ação Educativa ) Gratis. Balada na Casa das Caldeiras semanahiphop@acaoeducativa.org
Programação da 9ª Semana de Cultura Hip Hop Tema: Hip Hop. O que sou!? O que Penso!? - Subjetividades e suas resignificações
Festival de Basquete de Rua - BIJ Monteiro Lobato das 14 às 17hs
27/jul - segunda MH2R Atividade livre orientada Dj Feijão - MH2R Mc Felipe Magno
28/jul - terça Os Velhinhos Atividade livre orientada Dj Feijão - MH2R Mc Felipe Magno
29/jul - quarta Street Jampers Atividade livre orientada Dj Feijão - MH2R Mc Felipe Magno
30/jul - Quinta MH2R Atividade livre orientada Dj Feijão - MH2R Mc Felipe Magno
31/jul - sexta Reis da Rua Street Jampers Dj Feijão - MH2R Mc Felipe Magno
Oficinas de Dança, Dj e Mc - Ação Educativa das 15 à 17hs
27/jul - segunda B.Boy Ramon DJ Dandan MC Toroká
28/jul - terça B Girl Deise DJ Preto EL MC Jairo - Periafricania
29/jul - quarta B.Boy Dan DJ Simmone MC Luana A TAL
30/jul - Quinta B. Girl Cris - Funk Fanáticos DJ Lord - Tribunal - Popular/D’ABC DeeJays MC Zinho Trindade
31/jul - sexta B.Boy Jeff - Suatitude/ Luta de Estilo DJ Ralph 74 MC TON MH2R
Mostra de Graffiti - Ação Educativa e Sesc Consolação
Oficinas de Graffiti - BIJ Monteiro Lobato das 15 à 17hs
27/jul - segunda Meduza
28/jul - terça Hugone
29/jul - quarta Ziza
30/jul - Quinta Bozer
31/jul - sexta Agner
Oficinas de Noções básicas de Produção - Sesc Consolação das 15 às 17hs
De 27/jul - segunda à 31/jul - sexta Scan Dloop - Haussa
Mostra de Filmes - Ação Educativa das 17 às 18hs 20min
27/jul - segunda
"Cultura SubUrbana, Periferia de São Paulo, Brasil"
Direção Jaime Abalde Gil
Sinopse: O documentário exprime o olhar de um espanhol sobre a cultura suburbana em Heliópolis. Pelas mãos do rapper Liu Mr, junto com seus parceiros Rappin Hood, Johnny Mc e Fua, somos introduzidos na periferia urbana de São Paulo, assistindo a uma outra realidade que só aqueles que fazem parte dela parecem conhecer, pois é uma região a qual muitos brasileiros não tem acesso.
28/jul - terça
GRAFFITTI
Direção e Produção Lilian Solá Santiago
Sinopse: Todo graffiti tem uma história por trás. Em 2006, logo após uma série de ataques do crime organizado em São Paulo, a população está em pânico. Nessa atmosfera de medo, acompanhamos de perto o “rolê” solitário de Ale pelas ruas dessa imensa cidade, a mais grafitada do mundo.
29/jul - quarta
Freestyle: Um estilo de vida
Direção e Produção Pedro Gomes
Sinopse: Documentário, que busca desvendar a arte da rima de improviso no universo da cultura hip-hop. Como seus artistas (dj’s e mc’s) vivem, suas angústias, seu relacionamento com a música rap e como almejam uma melhoria de vida. Através de depoimentos e imagens das ‘batalhas’ o vídeo irá desvendando este universo tão rico e tão encoberto pelo preconceito.
30/jul - Quinta
Hip Hop: conflitos, sonhos e realizações.
Direção e roteiro Sergio Santos e Pedro Lira
Sinopse: O referido documentário relata as experiências de militantes e ativistas do Hip Hop, enfocando temas pertinentes aos jovens - gênero, política, cultura e a questão étnico-racial, particularmente das periferias das grandes capitais.
31/jul - sexta
"Hip Hop em movimento"
Direção Márcio Brown
Sinopse: Documentário baseado na visão de um jovem ativista do movimento Hip Hop de Sorocaba. O documentário registrou pessoas e cenários importantes que influenciaram o movimento desde o seu surgimento, com o DJ Nelson Maçã, o Clube 28 de setembro. Trazendo visões sobre o papel social, educativo, cultural e interativo do Hip Hop.
Apresentações Artísticas - Sesc Consolação das 18:30 às 20hs
Mestres de Cerimônia da Semana - Apresentações Artísticas Simone - DR Criolo Doido
Artistas:
27/jul - segunda Projeto Arte na Casa El Chojin Dj Big Edy
28/jul - terça Harmônicas Batalhas Amandla Dj Guinho
29/jul - quarta Kopanode Borracha Beat Box Dieguinho Beat Box Dj Ajamu
30/jul - Quinta Batalha de Free Style 2PRA1 Sound System M2D Dj MF
31/jul - sexta Thiago Beats Zapp Cover Projeto Educação com Arte Dj Marcia Soul
Diálogos - Ação Educativa das 20 às 23hs
27/jul - segunda Tema: A Subjetividade do Hip Hop - O que sou!? O que penso!? Liliane Braga Coordenadora de Hip-Hop do Centro Cultural Rio Verde e integrante da rede Sauti Yetu Gorée de ativistas de África e da diáspora africana (med) Lady Rap - Minas da Rima Mc Jack - um dos pioneiros do Hip Hop no Brasil Toni C - Nação Hip-Hop Brasil - Ponto de Cultura Hip Hop a Lápis
28/jul - terça Tema: As Resignificações do Hip Hop. Teorias ou Práticas Sueli Chan Militante do Mov. Negro de mulheres e Mulheres negras, fundadora da Zulu Nation Brasil (med) Alessandro Buso - Escritor Dj Cortecertu Rappin’Hood
29/jul - quarta Tema: Olhar institucional. O que penso e o que quero do Hip Hop Rapper Pirata - Fórum Hip Hop Municipal - SP (med) Honerê Al-amin Oadq Oadq - Posse Hausa e Movimento Negro Unificado - MNU Márcio Santos - Tchuck - Vocalistado grupo Rota de Colisão - Advogado - Assessor Projetos Hip Hop Secretaria Estado da Cultura Marcelo Cavanha - CUFA SP
30/jul - Quinta Tema: Hip Hop: uma ação poílitica ou uma política de ação Gevanilda Santos - Soweto Organização Negra e Profa Mestre em Ciencias Sociais - PUCSP (med) Primo Preto Anderson 4P Markão II (Vocalista da Banda DMN e Assessor Parlamentar - Vereador Netinho de Paula)
Encerramento: Baile de Rua - Rua 24 de Maio com Dom José de Barros das 20 às 22hs
31/jul - sexta
Apresentações de Spoken word com: Raquel Almeida Akins Kinte Renato de Souza
24 de julho de 2009
TV AFRO AMERICANA DE DETROIT TRADUZ MATERIA DA EPOCA SOBRE O CRESCIMENTO DO ISLAM NOS GUETTOS BRASILEIROS E A HISTORIA DA POSSE HAUSA
A matéria da Revista Época sobre o crescimento do islam nas periferias brasileiras, a história da posse hausa, etc., traduzida para o inglês pelo irmão Mark Wells e tranmitida em um canal de tv afro-americano de Detroit, Michigan, EUA
17 de julho de 2009
CLIPES HIP-HOP LIVE
Q-TIP
ENÉZIMO
KAMAU
THE ROOTS
Pharoahe Monch
PUBLIC ENEMY
NAS
COMMON / TALIB KWELI
Dj Premier - Live In Paris
DEPOIS MANDO MAIS AI FIRMEZA!!!
ENÉZIMO
KAMAU
THE ROOTS
Pharoahe Monch
PUBLIC ENEMY
NAS
COMMON / TALIB KWELI
Dj Premier - Live In Paris
DEPOIS MANDO MAIS AI FIRMEZA!!!
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