No dia 12 de dezembro aconteceu no Bar do Zé Batidão, a entrega do 3o Prêmio Cooperifa, O premio desse ano foi batizado de "Dom Quixote de La Perifa" e foi dado as pessoas e entidades que lutam por uma periferia melhor. Diversos artistas, poetas, organizações entre outros obtiveram o prêmio de muita valia devido ao trabalho realizado pelo Sarau. Para entender um pouco dessa história, em outubro de 2001, surgia a Cooperativa de Poetas da Periferia (Cooperifa). Nessa época, os saraus de poesia eram realizados no Garajão, em Taboão da Serra. Foi de três anos pra cá que as reuniões semanais voltadas à declamação de poesias passaram a acontecer no Bar do Zé Batidão, no Jardim São Luís (zona sul de São Paulo). É lá que, às quartas feiras, cerca de 300 pessoas se reúnem para declamar textos próprios e alheios. Nas palavras de Sérgio Vaz, um dos idealizadores do Sarau da Cooperifa ao lado de Marco Pezão, “é um quilombo cultural, onde as pessoas não precisam limpar o pé pra entrar. E não são tiradas por aquilo que pensam. É o movimento dos sem palco”.Nesse 3º prêmio tivemos a um grupo musical chamado DENEGRI (foto) onde sua formação é de 4 muçulmanos e uma irmã ativista das lutas sociais, Lena afirma inclusive que seu primeiro contato com a religião foi com seus parceiros de palco. Em seu depoimento o irmão Duguetto Shabbazz diz que conheceu o Islam através das várias referências que Allah pois em seu caminho. Em sua militância social ele teve como uma grande figura o irmão Malcolm X que fez com que a palavra “Islam” fosse implantada na mente das pessoas pelo mundo além das referências que existiram aqui no Brasil de pessoas que professaram o Islam e que contribuíram na luta por liberdade em nosso país como no caso do Levante dos Malês. Ele afirma que pretende trazer através da musica uma pequena contribuição para levar essas verdades para nossa comunidade. Abdu Karin reconhece o grupo como uma família maravilhosa que junto ao Islam lhe garante a felicidade em que vive atualmente. Ele coloca a religião como um agente que viabilizou muitas coisas para sua vida. Já o irmão Karin James Bantu conheceu a religião por algumas palavras de seu pai a qual ele diz que nunca sairá de sua cabeça “Um dia, nós teremos que voltar para as nossas raízes” Seu pai, natural da Guiana Inglesa está no Brasil por volta de 28 anos. Muçulmano, sempre procurou falar da religião para ele, mas por causa da resistência que a juventude tem, sua compreensão demorou para acontecer. Com o tempo, ele encontrou outros jovens muçulmanos que estavam seguindo a senda reta que facilitaram seu retorno ao islam. Em sua fala ele afirma: “O único auxilio só vem de Allah, na dificuldade você só pode contar com Allah, quando todos virarem as costas pra você, só Allah vai lhe estender as mãos, e depois disso, depois da verdade absoluta, não tem mais duvida, não tem inverdade, não tem mais livre arbítrio, só tem o certo e o errado e eu estou aqui pelo certo”
Outro vocalista do grupo Abdu Khalik disse que conheceu a religião através de sua pesquisa sobre o levante dos malês e com a aproximação dele com o irmão Duguetto Shabbazz. O mesmo acredita que a musica, no caso do hip-hop tem um papel diferenciado por seu teor político fazendo com que não seja caracterizado como Haram.Dessa forma, através dos ensinamentos de nosso Profeta Mohamad (SAAS) onde era ensinado a religião para as pessoas de diversos povos e culturas para que a religião fosse apresentada na linguagem típica de cada nação, que vemos no exemplo desses jovens um esforço necessário para trazer nossa religião as periferias das grandes cidades.



2 comentários:
Assalam aleikum...
Concordo com a afirmação do irmão no que diz respeito ao hip hop consiente
não caracterizar o haram, o islam graças à Allah esta crescendo no mundo e o hip hop também a exemplo de homens com Malcolm X e tantos outros, os islam os salvou, usar o hip hop essa cultura riquissíma para levar a mensagem de Allah é ótimo, Deus nos criou iguais e ninguém e superior a ninguém, Deus diz a verdade! parabenizo a ação de todos os grupos de hip hop muçulmanos, que levam atarves dessa sublime metrica de fazer poesia da qual eu tanto admiro e na medida de minha capacidade tento contribuir, por esse espírito de resistência contra o mal. Que Deus os abençoe! InshAllah a recompensa virá nesta vida e no paraíso.
Salam aleikum wa rahmatullah wa barakatuh
salve!
acompanho já de bastante tempo o trabalho de vcs, e queria colocar aqui uma questão que acho importante.
faço ciências sociais e, em sociologia, estudamos gilberto freyre e seu clássico 'casa grande & senzala' (escrito obviamente do ponto de vista da casa grande). infelizmente a abordagem que temos do autor é a do status quo, racista, afirmadora de uma escravidão 'adocicada', de escravos que se acomodavam e inclusive gostavam da opressão (!).
outros autores (brancos) já levantaram críticas ao freyre, apontando-o como o responsável pelo surgimento do mito da democracia racial, que mascara e maqueia o racismo nesse país. mas eu gostaria de saber se há alguma elaboração teórica por parte de autores negros a esse respeito, sejam historiadores, sociólogos ou ativistas do movimento negro.
gilberto freyre não pode passar em branco!
axé.
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