29 de fevereiro de 2008

HAUSA ENTREVISTA GRUPO DENEGRI NA PREMIAÇÃO DO SARAU COOPERIFA

No dia 12 de dezembro aconteceu no Bar do Zé Batidão, a entrega do 3o Prêmio Cooperifa, O premio desse ano foi batizado de "Dom Quixote de La Perifa" e foi dado as pessoas e entidades que lutam por uma periferia melhor. Diversos artistas, poetas, organizações entre outros obtiveram o prêmio de muita valia devido ao trabalho realizado pelo Sarau. Para entender um pouco dessa história, em outubro de 2001, surgia a Cooperativa de Poetas da Periferia (Cooperifa). Nessa época, os saraus de poesia eram realizados no Garajão, em Taboão da Serra. Foi de três anos pra cá que as reuniões semanais voltadas à declamação de poesias passaram a acontecer no Bar do Zé Batidão, no Jardim São Luís (zona sul de São Paulo). É lá que, às quartas feiras, cerca de 300 pessoas se reúnem para declamar textos próprios e alheios. Nas palavras de Sérgio Vaz, um dos idealizadores do Sarau da Cooperifa ao lado de Marco Pezão, “é um quilombo cultural, onde as pessoas não precisam limpar o pé pra entrar. E não são tiradas por aquilo que pensam. É o movimento dos sem palco”.
Nesse 3º prêmio tivemos a um grupo musical chamado DENEGRI (foto) onde sua formação é de 4 muçulmanos e uma irmã ativista das lutas sociais, Lena afirma inclusive que seu primeiro contato com a religião foi com seus parceiros de palco. Em seu depoimento o irmão Duguetto Shabbazz diz que conheceu o Islam através das várias referências que Allah pois em seu caminho. Em sua militância social ele teve como uma grande figura o irmão Malcolm X que fez com que a palavra “Islam” fosse implantada na mente das pessoas pelo mundo além das referências que existiram aqui no Brasil de pessoas que professaram o Islam e que contribuíram na luta por liberdade em nosso país como no caso do Levante dos Malês. Ele afirma que pretende trazer através da musica uma pequena contribuição para levar essas verdades para nossa comunidade. Abdu Karin reconhece o grupo como uma família maravilhosa que junto ao Islam lhe garante a felicidade em que vive atualmente. Ele coloca a religião como um agente que viabilizou muitas coisas para sua vida. Já o irmão Karin James Bantu conheceu a religião por algumas palavras de seu pai a qual ele diz que nunca sairá de sua cabeça “Um dia, nós teremos que voltar para as nossas raízes” Seu pai, natural da Guiana Inglesa está no Brasil por volta de 28 anos. Muçulmano, sempre procurou falar da religião para ele, mas por causa da resistência que a juventude tem, sua compreensão demorou para acontecer. Com o tempo, ele encontrou outros jovens muçulmanos que estavam seguindo a senda reta que facilitaram seu retorno ao islam. Em sua fala ele afirma: “O único auxilio só vem de Allah, na dificuldade você só pode contar com Allah, quando todos virarem as costas pra você, só Allah vai lhe estender as mãos, e depois disso, depois da verdade absoluta, não tem mais duvida, não tem inverdade, não tem mais livre arbítrio, só tem o certo e o errado e eu estou aqui pelo certo” Outro vocalista do grupo Abdu Khalik disse que conheceu a religião através de sua pesquisa sobre o levante dos malês e com a aproximação dele com o irmão Duguetto Shabbazz. O mesmo acredita que a musica, no caso do hip-hop tem um papel diferenciado por seu teor político fazendo com que não seja caracterizado como Haram.
Dessa forma, através dos ensinamentos de nosso Profeta Mohamad (SAAS) onde era ensinado a religião para as pessoas de diversos povos e culturas para que a religião fosse apresentada na linguagem típica de cada nação, que vemos no exemplo desses jovens um esforço necessário para trazer nossa religião as periferias das grandes cidades.

Núcleo de Desenvolvimento Islâmico Brasileiro traz Fred Hamptom JR a São Paulo


No dia 19 de novembro de 2007 na ONG Ação Educativa situada no centro da Capital Paulista encontravam-se membros do movimento hip-hop, movimento negros/sociais engajados na luta por uma mudança em nossa sociedade, para um encontro que tinha por objetivo dialogar saídas e socializar experiências vividas com um dos mais respeitados lideres afro Americanos da atualidade, Fred Hampton JR. Filho de Fred Hampton fundador do movimento Black Panthers. A mesa também contou com a presença do irmão Honerê Al-amin Oadq do Centro de Divulgação do Islam para América Latina, MNU e Posse Hausa, Mano Brown dos Racionais MC’S, Anderson 4p vereador de Francisco Morato pelo Movimento Hip-Hop, Eugênio da Frente 3 de fevereiro, e posteriormente a quilombola Kathiara do coletivo Kilombagem de Sto André.
O evento foi uma realização do Núcleo de Desenvolvimento Islâmico Brasileiro (NDIB) tendo a frente nosso irmão Abdullah Malik Shabbazz onde foi garantido um debate qualitativo devido ao conteúdo das falas e da participação de ícones da militância negra por 4 horas de encontro. Durante todo o instante a platéia se demonstrava atenciosa observando e apreciando as falas. O evento contou com aproximadamente 120 pessoas.
Essa agenda foi criada a 3 meses antes do evento em São Paulo, foram feitas através de uma conexão entre Bahia / São Paulo / Rio de Janeiro sendo a parte logística e cultural responsabilidade da NDIB. A presença de um remanescente do partido dos panteras negras é um dos mais respeitados ativistas na complexidade relacionada a políticas publicas, ele representa uma ONG chamada Comitê dos Prisioneiros da Consciência ( POCC ) e vem mundo a fora denunciando o terrorismo estatal sobre a população negra praticada pelo sionismo e seus colaboradores. Na base de seus dirigentes, existem muçulmanos que fizeram parte dessa comitiva que veio ao Brasil. Fred Hamptom JR nos trouxe uma grave denuncia do governo Norte americano de ser colaborador de uma perversidade aos cidadãos de nova Orleans. Como já não bastassem os efeitos naturais na qual causou catástrofes, há provas de que o governo aproveitou o fato estourando com bombas uma represa para piorar ainda mais a situação. Tudo isso por interesse imobiliário no qual os favorecidos seriam pessoas e organizações do ciclo de amizades financeiras da família Bush. O descaso incluindo maus tratos, separação das famílias no momento de deslocá-las para outros lugares que deveriam ser seguros mais que pelo contrário, agravou a saúde dessas pessoas entre outras atrocidades que expõe o descaso e falta de empenho das AUTORIDADES daquele estado e do País.
Outros participantes como mano Brown ícone do movimento hip-hop brasileiro também trouxe na sua fala a importância da organização do movimento nas comunidades.
Honerê Al-amin Oadq entregou nas mãos da comitiva do POCC um dossiê referente as reais condições vividas nos presídios baianos onde essas pessoas se encontram em condições desumanas além das estatísticas que comprovam um verdadeiro genocídio da juventude negra brasileira. Tais fatos foram levantados pelo militante Hamilton Borgues Walê do Movimento Negro Unificado, sessão Bahia junto com a Campanha “Reaja ou Será Morto, Reaja ou será Morta” que mobiliza as comunidades periféricas do estado da Bahia. O projeto de intervenção nas penitenciarias baianas também foi um aliado na avaliação das reais condições dos presídios locais. Em sua fala, Honerê avalia a destruição da família negra pelos mais diversos mecanismos fomentados pela nossa sociedade através da introdução dos vícios (Drogas licitas e ilícitas), da perca dos valores familiares ligados a falta de respeito dos filhos para com os pais que em sua avaliação diz que resistiram a tudo, com todas as dificuldades para garantir a continuidade do nosso povo, de uma orientação religiosa que em suas principais bases resguarda os valores familiares, e principalmente no resgate de nossa história desde África onde milenarmente as famílias foram o alicerce de resistência africana. Anderson4p destacou o papel da política publica e como viabiliza - lá através do conhecimento dos direitos do estado e com uma cobrança maior através dos mecanismos legislativo. Fala também relevante foi de Eugenio da frente 3 de fevereiro criado a partir do caso do dentista Flavio assassinado por policiais que vem usando sua mobilização para denunciar os abusos de autoridades a população de baixa renda. Atividade como essa foi única. A tempos que não se via intercambio tão importante como esse principalmente pela conjuntura, pela resistência e pela lutas em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Dentro disso tudo, o islã e os mulçumanos não podiam se ausentar e deixar de oferecer sua contribuição para um modelo de sociedade na qual acreditamos, mesmo não sendo um evento com um totalidade mulçumana foi idealizado e executado pelos próprios com a vontade de trazer a perfectiva mais real de transformação de um governo que se aproxime dos moldes islâmico formando uma sociedade na qual se distinga pela fé.
A participação de vários mulçumanos em atividades políticas de interesse da sociedade brasileira, nos traz um aspecto diferenciado já que deixamos de ocupar um papel de omissão para tomarmos frente as principais demandas sociais em que vivemos hoje. O racismo e suas manifestações discriminatórias e preconceituosas devem ser banidos de nossa sociedade e para tal as pessoas precisam recuperar o senso de humanidade perdido por interesses alheios as palavras vindas de nosso Criador. Estar nesses espaços se torna importante quando nossas ações, intenções e intervenções venham sempre baseadas nos aprendizados obtidos através da Sunna de nosso Profeta Mohamad (SAAS) e do Alcorão Sagrado levando a palavra de ALLAH como fonte de vida. Também estivemos participando das afetividades da avenida paulista onde se concentrou no MASP cerca de 30 mil pessoas na 4ª marcha do Movimento Negro Paulista em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra onde podemos deixar nosso recado enquanto mulçumanos e a importância da nossa luta em relação aos direitos dos cidadãos.
Abdullah Malik Shabbazz – presidente do Núcleo de Desenvolvimento Islâmico Brasileiro (NDIB)